Todos nós sentimos saudade de pessoas, lugares e coisas. Eu morro de saudade do meu primeiro carro, um corsinha pé-de-boi grafite. Dá vontade de ter outro. Mas nunca vai ser aquele carro. Já é outro.
Percebo que as pessoas confundem muito amor com apego. E aí fica tudo enrolado. Não sabemos mais o que queremos nem o que sentimos a respeito do objeto amado.
Um bom exemplo é da relação pais e filhos. Filhos mais independentes foram criados com o amor mais livre. Aquele que não se prende. Só fica se quiser. Os mais carentes podem ter sido criados com o amor mais grudento, em que são “poupados” de muitas coisas da vida para que não sofram tanto. Esse apego aos filhos pode dar em muita encrenca mais tarde.
Os pais sentem um amor incondicional pelos filhos e muitas vezes têm dificuldade em soltá-los para a vida. Não podemos criar filhos para nós mesmos. Podemos fazer isso com animais de estimação, não seres humanos.
Ao contrário do que os pais pensam, os filhos conseguem “se virar” sem eles sim, e muitas vezes irão surpreendê-los. O amor dos filhos pelos pais não é incondicional. Na primeira oportunidade que um filho tem para crescer, se aventurar, se jogar na vida, ele só vai acenar um tchau e vai mesmo. E é bom que vá.
Se os pais criam com amor, o tchau será feito com gesto de amor.
Se a criação foi baseada no apego, o tchau poderá ser muito dolorido para ambos os lados.
Com apego, nos sentimos abandonados e sozinhos quando uma pessoa parte. Com apego, a pessoa que vai pode sentir-se culpada em estar “te abandonando” e acaba não agarrando oportunidades que poderiam fazer a diferença para ela. Isso cheira a egoísmo, mas não podemos nos precipitar e sair julgando os apegados, pois todos têm motivos para fazer o que fazem, mesmo não sendo muito explícito.
Com amor, a pessoa que vai pode ir aonde ela quiser, pois ela sempre estará guardada dentro da gente. A dor que sentimos é a dor da saudade, que nos mostra o quanto amamos aquela pessoa que está indo embora naquele momento. É diferente da dor do abandono, pois a saudade tem um “quentinho” gostoso misturado com a tristeza da partida. O abandono é uma mistura de raiva, tristeza, angústia e sentimos nosso coração dilacerar.
No meio do caos do consumo das casas Bahia o que aprendemos é nos apegar. Precisamos todos tomar um chazinho de amor para acalmar e aquecer o coração.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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